
Foi eleito o patologista mais influente do mundo pela revista britânica ‘The Pathologist’ e há quase cinco décadas que se dedica a estudar uma das doenças mais mortais do século XXI: o cancro. A experiência consolidada neste domínio confere-lhe legitimidade para retratar a patologia, designadamente os cancros da tiróide e do estômago. Mas estes quase 50 anos não lhe tiraram o medo do cancro. Sem pudores, Manuel Sobrinho Simões confessa ao Notícias ao Minuto que o cancro o assusta. “Tenho muito medo de ter cancro”, admite.
São quase 50 anos a estudar o cancro. Esta é uma doença que ainda o assusta?
O cancro assusta-me muito. A minha atividade sempre esteve muito direcionada para o cancro da tiróide e do estômago. E, por exemplo, o cancro da tiróide tem uma mortalidade muito baixa; mais de 95% dos casos são controlados ou curados. Mas no estômago conseguimos apenas controlar cerca de 20 ou 25% das situações. Ou seja, em 75 a 80% das pessoas morrem, apesar de não ser no imediato. Por isso, tenho muito medo de ter cancro porque embora já se trate muito bem uma grande percentagem dos tumores, 40% de casos acabam por morrer. Se a pessoa tiver pouca sorte de ter um cancro dos que não são fáceis de tratar nem de controlar acaba por morrer.